Dinheiro e felicidade: como você gasta importa mais do que quanto você tem

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11 de janeiro de 2016 por Semio Timeni

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Correlacionar dinheiro e felicidade é algo que fazemos com frequência popularmente. O velho questionamento sobre dinheiro trazer felicidade gera respostas das mais variadas, mas nunca um consenso sobre o assunto. O interesse sobre o tema é tamanho que inclusive já foi pesquisado cientificamente e os resultados trazem algumas reflexões interessantes, ideais para este período de início de ano, no qual costumamos projetar o futuro com base em nossas resoluções. Um artigo publicado no site do Banco Mundial reúne uma série de levantamentos feitos a respeito do tema.

Se considerarmos aquilo que é o básico para deixar alguém feliz – saúde, alimentação, saneamento básico, etc – os estudos vão mostrar que pessoas ricas são mais felizes que as pobres. O levantamento feito pelos economistas Justin Wolfers e Betsey Deaton apontam que as pessoas em países ricos tendem a ser mais felizes do que em países pobres. A instabilidade gerada para garantir as necessidades básicas de moradia, alimentação, saúde e etc gera mais estresse e, por consequência, situações adversas que podem comprometer a felicidade.

O resultado deste levantamento pode parecer um pouco óbvio à primeira vista e supostamente suficiente para encerrar essa discussão sobre dinheiro e felicidade. No entanto, um outro estudo desenvolvido por Daniel Kahneman e Angus Deaton mostra que a felicidade proporcionada pelo dinheiro tem um limite. O aumento da renda tem impacto no nível de satisfação das pessoas, mas deixa de fazer diferença quando a renda anual atinge o patamar de aproximadamente US$ 75 mil.

De acordo com a pesquisa, acima deste patamar o dinheiro não tem mais a mesma capacidade de gerar sentimentos positivos. Os recursos materiais podem reforçar a sensação de satisfação, mas não geram felicidade em si.

A forma como usamos nosso dinheiro também interfere na capacidade que ele terá para nos proporcionar felicidade. Ao contrário do que muitos podem pensar, uma viagem linda tem um potencial muito maior de nos trazer felicidade do que a compra de um carro, por exemplo. A conclusão foi encontrada na pesquisa feita por Thomas Gilovich, que explica essa diferença com base em um conceito denominado “adaptação hedônica”. Conforme essa definição, as pessoas experimentam uma sensação momentânea de felicidade quando compram um celular ou carro novo, mas o sentimento se desfaz assim que um novo modelo surge no mercado. De modo similar, um aumento salarial também é capaz de gerar satisfação, mas ela tende a cair porque as aspirações também crescem.

Por outro lado, experiências positivas, como uma viagem extraordinária, um momento muito especial com uma pessoa querida ou algo inusitado – como um salto de paraquedas – são recordadas por mais tempo, podem ser compartilhadas e geram um sentimento de felicidade mais duradouro. Isso justifica, por exemplo, o fato de você ter o hábito de compartilhar ainda hoje com amigos situações vividas lá na infância (todo mundo sempre tem alguma pérola para dividir). Quantas vezes você já fez o mesmo para falar sobre um celular que comprou há anos? Posso apostar que isso nunca aconteceu.

Em um caminho semelhante, a pesquisadora Elizabeth Dunn e seus colegas fizeram um estudo comprovando que gastar dinheiro com os outros gera mais satisfação do que quando gastamos com nós mesmos. Ou seja, solidariedade realmente vale a pena. Pelo que foi resumido até aqui, uma conclusão é clara: dinheiro tem seu poder de trazer felicidade sim, desde que não seja encarado apenas como uma forma de acumular bens materiais. No fim das contas, a forma como você enxerga o dinheiro será fundamental para definir a capacidade que ele terá de te proporcionar uma vida feliz.


Samy Dana para o Blog Economia na Prática

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