Os macacos e as bananas

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23 de dezembro de 2015 por Semio Timeni

macaco

Conta-se que cientistas resolveram fazer um experimento: colocaram cinco macacos numa jaula onde tinha uma escada e no alto desta, um cacho de bananas. Sempre que um macaco subia na escada, os outros quatro levavam um banho de mangueira com água gelada. Isto se repetiu várias vezes: toda vez que um macaco subia a escada, banho nos outros quatro. Passado algum tempo e após vários banhos, bastava um dos macacos ameaçar subir que os outros quatro batiam nele, na busca de impedir que outro banho fosse dado.

Neste estágio, os cientistas retiraram um dos macacos e colocaram outro que nunca tomou banho. Resultado? O novo macaquinho fez carreira para subir atrás das suculentas bananas, sendo imediatamente impedido pelos outros com uma grande surra por agir assim. Sem entender o porque, tentou subir novamente. E apanhou, apanhou, apanhou, até perceber que não devia subir na escada.

Nova mudança de macacos: sai um macaco velho, entra um novo macaco. Nova busca às bananas, nova surra no macaco ingênuo! Aos poucos, todos os macacos velhos foram trocados, até que nenhum macaco do grupo original – aquele que tinha tomado banho com água gelada – permaneceu na jaula. E mesmo sem saber porque, todos batiam naquele que ousasse subir na escada atrás das bananas.

Tenho encontrado muitos “macacos” nas minhas andanças pelas empresas:

 

  • Por que é assim? – questiono
  • Não sei. Sempre funcionou desta forma…

 

Certa vez, fiz um trabalho de desenho de processos internos para uma famosa e competente empresa aqui do estado. Numa das salas, pedi a descrição de como era que se dava o trabalho. O colaborador, muito prestativo, ensinou-me como ligava todas as máquinas daquele setor. Ao chegar a uma delas, questionei: “e esta aqui, serve para que?”. “Sei não senhor, me ensinaram que precisava ligar este botão e eu tenho feito assim nos últimos 5 anos”. Pedi para o gerente ser chamado. Ele, na empresa há 12 anos, também não sabia. Chamamos o técnico da empresa: não tinha a menor ideia. Resolvemos desmontar o console e ver em que aquela máquina estava conectada. Adivinhou? Em nada! Aquela máquina esteve ligada no mínimo nos últimos 12 anos sem estar conectada a nada, somente consumindo energia elétrica. Simplesmente porque ninguém questionou o porque das coisas!

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Muitos “macacos” condicionados à maneira de ser e de estar. O problema é que, diferente dos macacos, nós, seres humanos, podemos pensar!! E questionar!! Esta é uma grande missão do líder: fazer seus liderados pensarem e questionarem o status quo, expressão latina que significa o estado atual das coisas, seja em que momento ou situação for. Acontece que a tendência de muitos chefes – não confundir com líderes! – é de exatamente construir um status quo, uma maneira de fazer ou de agir, e não aceitar qualquer questionamento disto.

Permita-me, de forma respeitosa, questionar: será que agindo como o macaco você não está se privando de provar das bananas, das recompensas reservadas àqueles que ousam questionar, que tem coragem de mudar?

nunca-e-tarde-para-recomecos-pior-que-errar

O conceito de paradigma é sempre lembrado nesta estória dos macacos. É um termo emprestado da filosofia que ganhou na Administração o significado de padrão ou modelo de agir e pensar compartilhado por um grupo de pessoas, como por exemplo, colaboradores de uma empresa. Pergunta: paradigma é bom ou ruim? Depende! Se o paradigma é quem “dita as regras do jogo”, podemos supor que diversos paradigmas foram importantes para nos trazer até o presente momento. O que é perigosíssimo é quando o paradigma engessa a empresa – e consequentemente as pessoas, transformando-as em seres condicionados a fazerem as coisas sem pensar!

simios

Paradigma lembra preconceito, conceito prévio. Verdades construídas que muitas vezes me torna cego, me impedindo de ver novos caminhos, novas e melhores maneiras de realizar algo. E, como já dizia o filósofo francês Denis Diderot (1713-1784), “a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito”. Pense nisso! Bom trabalho! Sucesso!


Semio Timeni Segundo é Mestre em Administração, Consultor Empresarial e Coach.

3 pensamentos sobre “Os macacos e as bananas

  1. Andréia Souza disse:

    Ótimo texto. É bem isso que acontece mesmo, as pessoas se prendem ao comodismo, ao medo do novo e ficam congeladas no tempo. E ainda se perguntam por que nada acontece, por que não prosperam. Acredito que tudo seja questão de atitude. Atitude no pensar, no agir, tentar, persistir, enfim, que possamos refletir e agir para que as nossas ações se tornem exemplo para que outros possam seguir, mesmo nas pequenas coisas. Adorei o texto. Parabéns!

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