Fique tranquilo e aproveite: em 2015 e nos próximos anos, o mundo vai melhorar ainda mais

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2 de janeiro de 2015 por Semio Timeni

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O ano começa cheio de previsões nebulosas. O desemprego e a miséria vão aumentar, o câmbio deve passar pertinho de uma crise, a economia brasileira seguirá patinando. Não duvido dos economistas que nos antecipam esses problemas, mas me permita explorar uma outra verdade. Se houver alguma liberdade para empreender e inovar, o mundo em 2015 e nos próximos anos vai ficar mais próspero, barato, abundante, fácil, divertido, saudável, pacífico, seguro, rico, limpo e verde.

Por herança da evolução, o homem tem uma tendência a se concentrar no que pode dar errado. Nas cavernas do Pleistoceno, gerava mais descendentes quem tinha medo de ataques e antecipava problemas. A ansiedade garantiu nossa sobrevivência, mas nos faz enxergar a realidade de um jeito enviesado. Nos aterrorizamos com ameaças mesmo quando há motivos para ficarmos tranquilos.

É perfeitamente racional ser otimista em momentos ruins. Tome como o exemplo os anos 80, quando o Brasil teve sua pior crise econômica. A economia decepcionava, mas vivíamos uma pequena revolução da medicina. Até aquela década, era preciso lidar com gastrites e úlceras a vida inteira. O escritor Nelson Rodrigues acordava todas as madrugadas para “amestrar a úlcera” com mingau. Então um laboratório farmacêutico criou um remédio simples que inibe a produção de ácido gástrico. Úlceras que antes duravam décadas hoje são resolvidas com omeprazol em poucos dias – a um custo de poucos reais.

Enquanto a hiperinflação tirava qualquer esperança dos brasileiros, empresas de eletrônica se digladiavam para inventar um aparelho de diagnóstico que produzisse imagens a partir do ultrassom. A ultrassonografia obstétrica, ao detectar doenças antes do nascimento, hoje evita a morte de milhares de bebês. A mortalidade infantil brasileira caiu 75% de 1990 a 2010. Os exames de pré-natal, entre eles a ultrassonografia, respondem por metade dessa redução.

Cito aqui só duas inovações, mas há milhares delas. Telefones celulares, internet, internet em telefones celulares, variedades de plantas mais produtivas e resistentes, lâmpadas que gastam dezenas de vezes menos energia, vacinas, transplantes, cirurgias com câmeras, carros que liberam 90% menos poluição. Sim, deveríamos ter vivido as últimas décadas transbordando de otimismo.

Muita gente acredita que esse avanço da tecnologia e do consumo acontecerá a custo da natureza. Não, é o contrário. Como diz o meu guru intelectual, Matt Ridley, autor do brilhante O Otimista Racional, quanto mais ricos, mais sustentáveis nos tornamos. Só quando estamos de barriga cheia podemos nos dar ao luxo de evitar abater um animal em extinção. Só quando a produtividade é alta podemos pensar em máquinas mais caras que poluem menos e gastam menos combustível.

Admito que alguns problemas devem se agravar no futuro, mas são questões que pessoas de outras épocas adorariam enfrentar. Um deles é a abundância. A maior parte das notícias ruins de hoje tem a ver com abundância. Temos alimentos demais, carros demais, lixo demais. Ficamos perdidos diante de tantas opções de vida.

Veja que enorme privilégio. Em quase toda a história da humanidade, o grande problema foi falta, fome, carestia. Até 200 anos atrás, os países europeus viviam crises de fome que, duas ou três vezes por século, eliminavam 10%, 20% da população. Comer carne ou alimentos fora de época era luxo reservado a monarcas. Que baita sorte nós temos de viver numa época em que a abundância é o problema.

Agora imagine o que virá nos próximos anos – se os governos deixarem. Os remédios e técnicas de diagnóstico que devem surgir, os artigos de luxo que estarão até na mão dos mais pobres, as doenças hoje mortais que curaremos com uma simples ida à farmácia. Carros sem motoristas vão transformar acidentes de trânsito em esquisitices do passado. Eu imagino que uma única e pequena usina de fusão nuclear vai fornecer energia elétrica para uma metrópole inteira. Trens serão mais velozes que aviões.

Por isso fique tranquilo e aproveite. O mundo nunca foi um lugar tão bom – e deve melhorar ainda mais.


Leandro Narloch é jornalista e escritor e escreve regularmente no blog O Caçador de Mitos do Portal Veja.com

 

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