O que Portugal pode nos ensinar

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29 de maio de 2013 por Semio Timeni

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Estive por alguns dias visitando Lisboa e região. Impressionou-me a grave crise que se aproxima do nosso país irmão Portugal, se é que esta já não esteja instaurada naquela sociedade. É uma pena vê-lo assim, principalmente depois que viveu uma época áurea na sua economia nas décadas de 1990 e 2000, até meados de 2007. A situação é séria, mas o que está acontecendo com Portugal  pode servir de bom exemplo para nosso país. Como? Aprendendo com nosso irmão mais velho o que nós não devemos fazer.

Crédito farto e fácil, juros baixos e prazos longos para pagar: este era o quadro da economia portuguesa alguns anos após o seu ingresso na União Européia (em 1986) e principalmente depois do início da Zona do Euro (em 1999, sendo Portugal um dos seus membros fundadores). Portugal se endividou muito. Não só o país como também seu povo.

Como país, se endividou sem fazer as devidas reformas estruturantes, o que tornou o peso do Estado na economia cada vez maior e seu déficit público e endividamento um dos maiores da Europa. Já seu povo aproveitou as facilidades de acesso ao capital para investir em moradias, veículos novos, eletrodomésticos modernos, etc.

E o país agora passa por uma grave recessão.

 

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O Brasil corre o perigo de seguir pelo mesmo caminho. A participação do Estado na economia do país, que hoje beira a casa dos 40% de todas as riquezas produzidas, é um fardo por demais pesado para ser empurrado para frente. Por outro lado – e aí é que mora o grande perigo – a nova facilidade de acesso dos brasileiros a créditos com os juros entre os mais altos no mundo, faz com que muitos se endividem sem ter a verdadeira noção de onde estão se metendo, fazendo com que se crie uma verdadeira bomba relógio que há de explodir num futuro próximo.

Uma história bem parecida com a dos nossos irmãos lusitanos.

Mas como não seguirmos o mesmo caminho de Portugal? Encarando o problema de frente. O Estado – leia-se governos Federal, Estadual e Municipal – precisa urgentemente priorizar uma reforma político-administrativa, sem esquecer de uma verdadeira reforma tributária, para se perfilar com uma economia que precisa e pode crescer na casa dos 5% ao ano para não perder o bonde da história.

E qual a parte que nos cabe? Além de cobrar ativamente estas reformas, nos educarmos no consumo consciente. O verdadeiro problema dos juros altos é a falta de educação financeira do nosso povo. A compra desenfreada pela facilidade ao crédito gera inflação, que é combatida com mais juros altos. E, na contramão, o brasileiro em geral não sabe poupar para consumir, quer sempre consumir gerando mais dívidas.

Se o crédito foi a grande alavanca de prosperidade do nosso país nos últimos anos, a conta há de ser cobrada. Sabe o que isto tem gerado na prática? Problemas em empresas que passam por situações de alto desânimo de seus colaboradores  simplesmente porque estes encontram-se com suas vidas financeiras privadas em total descontrole. Como se concentrar no trabalho devendo ao cartão de crédito? Como desempenhar bem a função se está devendo a escola dos filhos? São situações que se apresentam no cotidiano de muitas famílias brasileiras e que podem estar, como uma doença, prejudicando o desempenho das empresas, inclusive a sua.

Nestas horas é bom lembrar o provérbio judaico que diz “quem come do seu trabalho é feliz e tudo lhe corre bem”. Muitos estão “comendo” antes de trabalhar… A solução? Educação Financeira. Nos mais diversos níveis, desde as escolas até as empresas. Conheço casos de sucesso de planejamento familiar que impactaram positivamente no desempenho dos colaboradores e seu rendimento no trabalho. Sem educação, é difícil mudarmos este perigoso caminho que estamos trilhando.

Portugal não educou-se, agora paga um preço amargo. Que tal aprender com Portugal?

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Semio Timeni Segundo é Mestre em Administração, Consultor Empresarial e Business Coach

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